Projeto de vida Sénior – Abordagem multídisciplinar


09/12/2012 Facebook Twitter LinkedIn Google+ Sem categoria


A vida humana é sem dúvida um constante diálogo entre o eu e a circunstância, os contextos, as relações, na infância fala-se de períodos de aprendizagem e de desenvolvimento, na adolescência são as mudanças de papéis e crises de identidade, na idade adulta surgem os dilemas trabalho versus família e depois como é?

 

Eis chegados à idade vulgarmente conhecida como Idade da Sabedoria, ora chegados a esta fase, carregando na bagagem um universo de experiências e vivências é etapa ideal de balanço, mas também de ação e de crescimento. É tempo ainda de sentir, descobrir, conhecer e mesmo de reluventar e recriar novos modos de satisfação e gratificação pessoal e continuar a realizar o projeto de vida.


Fala-se e investe-se em meios de prolongar a vida, mas é urgente pensar em estratégias e formas de prolongar a vida com garantias de bem-estar e qualidade de vida, apoiar os Séniores na realização do seu projeto de vida, implicando de forma ativa as pessoas no seu projeto e permitir o protagonismo na sua história. O processo de envelhecimento é inevitável, natural, universal, mas também particular, ninguém envelhece do mesmo modo, uma vez que neste processo multifacetado estão implicados uma diversidade de fatores de natureza distinta que concorrem e condicionam o modo como este processo ocorre e é vivido.
Trata-se sem dúvida de uma etapa de adaptação, lidar com eventuais perdas de autonomia, doenças e muitos outros fatores que têm um impacto significativo no sentimento de satisfação com a vida. Mas é também etapa de animação, sinónimo de vida, de atividade, de necessidade de estimulação física, mental, afetiva e social. É altura também de apostar no desenvolvimento pessoal, na promoção de competências e capacidades e inevitavelmente na prevenção.

De facto, a prevenção não pode ser reservada para outras fases do ciclo de vida, é essencial uma abordagem ancorada na prevenção, em intervenções preventivas que potenciem a qualidade de vida dos Séniores e que colaborem na minimização das consequências do processo de envelhecimento.
É necessário cuidar, numa dimensão de cuidado que contempla a arqueologia do ser com o outro, as relações, a necessidade de aprendizagem e de experiências, de sentimentos de utilidade e de promoção da auto-estima.
O grande desafio está precisamente em perspetivar este processo universal e particular que é o envelhecimento em todas as suas dimensões, sem nunca perder de vista a individualidade e identidade e apostar numa abordagem preventiva, multidisciplinar que encare cada pessoa na sua multiplicidade. É precisamente este diálogo entre as várias áreas da Saúde que servirá de veículo de excelência para a promoção da qualidade de vida dos Séniores, apostando numa abordagem que contempla simultaneamente:

Pessoa — Com a sua história, ganhos e perdas, capacidades, potenciais e necessidades
Prevenção – identificar fatores de risco, intervenções preventivas que reduzam a vulnerabilidade a determinadas patologias
Promoção – De competências, de funcionalidade, de capacidades, de experiências gratificantes.

A memória humana é de facto um património inigualável, regista experiências, conhecimentos, aprendizagens que devem ser preservadas, mas é também essencial pensar o presente, romper com a solidão e apatia, exercer novos papéis sociais, gerar novos modos de participação, criar espaços e oportunidades onde cada um possa ser ouvido, valorizado e estimulado nas suas capacidades.
Na verdade, ações e intervenções preventivas constituem muitas vezes a vacina ideal para evitar muitos quadros e patologias que surgem regra geral nesta fase do ciclo de vida. A reabilitação é fundamental, mas é necessário e urgente apostar na prevenção e na promoção, de forma a não deixar que as incapacidades inerentes a esta fase do ciclo de vida nos impeçam de reconhecer ainda as potencialidades e habilidades.

O Projeto de Vida Sênior é o rosto, o espelho das necessidades, expetatívas e potenciais de cada idoso, um elemento que deve ser de certo modo a bussola, um guia do próprio Idoso, da família, dos profissionais. Na verdade, ancorados com este elemento essencial é possível continuar a promover Instituições Positivas, Pessoas Felizes e garantir um verdadeiro compromisso com a Vida, numa etapa em que ainda muitas esc0lhas estão por fazer e muitas experiencias por Viver.

 

 

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