OS IDOSOS DE ONTEM

25/01/2011 Uncategorized
No entanto, o nosso destino é o de, um dia, sermos também idosos, e esse dia estará longe de ser belo, se não providenciarmos nesse sentido. E isto porque se outrora, para muitos, envelhecer não constituía problema, o mesmo não se passa hoje em dia.
Não vai assim tão longe o tempo em que três quartos da população se dedicavam à agricultura. Nascia-se na propriedade da família, onde, depois, quando adulto, se trabalhava, e em velho, se acabavam os dias. Não havia problemas de reforma: ia-se diminuindo progressivamente o trabalho, contentando-se em ajudar os filhos o maior tempo possível. Não se pagava renda, uma vez que se habitava na própria casa. Não havia problemas de recursos, pois os produtos da casa chegavam.
Na aldeia era-se considerado um sábio que se consultava para problemas difíceis. Era-se o historiador que conhecia todas as famílias da região. Quando se aproximavam os últimos dias tinha-se a lareira acesa dia e noite. Na hora da partida» a tristeza era patente em todos.
Na cidade, as condições de vida eram, de uma forma geral, mais favoráveis que hoje. Podia-se economizar, fazer, até, um pequeno pé-de-meia, porque a moeda não estava sujeita às enormes desvalorizações de hoje em dia. Nào havia imposto sobre rendimentos (mas apenas o imposto municipal); o crédito fornecia à construção empréstimos a juros por períodos extensíssimos. Durante a vida de trabalho as despesas eram menores, porque havia espírito de poupança (consumia-se a vela até ao fim); desconheciam-se os gadgets e a publicidade. Mesmo assim, esta não era a cidade ideal: a educação não era gratuita, a segurança social não estava de forma nenhuma assegurada e os trabalhadores não tinham hipótese de gozar férias. Apenas os funcionários beneficiavam do regime de reformas.

 
Mas a longevidade era reduzida: raramente se dobrava os sessenta anos. Por isso, os velhos que resistiam ao peso do tempo eram considerados seres excepcionais e inspiravam respeito pelos poderes e conhecimentos ocultos que lhes atribuíam. E também, talvez pelo seu reduzido número, não criavam grandes problemas à colectividade.

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