Idosos votados ao desprezo à resignação e silêncio

23/01/2011 Uncategorized
A evolução processa-se segundo uma repetição infinita de ciclos ou, pelo menos, uma sucessão de períodos diversos.
Nas civilizações primitivas, em que o homem se dedicava à caça e à guerra, os idosos eram votados ao desprezo, afastados do poder, dos rituais e, até mesmo, abandonados pela tribo, devido à sua fraqueza física.
Quando as tribos se sedentarizaram e se dedicaram à agricultura, os anciãos passaram a usufruir de consideração no clã, ocupando um lugar social elevado, chegando, por vezes, a ser eleitos chefes. Em Esparta havia um conselho composto de 28 homens com mais de sessenta anos, recrutados entre os mais valorosos. Na República Veneziana, os doges eram muitas vezes homens idosos. No papado, a gerontocracia foi sempre a regra. Em muitos países subsiste a tendência de confiar as questões de estado a políticos idosos e com experiência — o que não é de admirar.
No entanto, épocas há em que a experiência do passado deixa de ser uma garantia de competência. Poderosas tendências subjacentes minam e envelhecem as estruturas existentes: é preciso ver de novo, com novos olhos, certamente sem esquecer as lições do passado, mas olhando sempre para a frente. As simples condições de adaptação que, na resolução de um problema, apenas apelam para tipos de pensamento reflexivo, a concepções «em circuito fechado» devem ser associadas a condutas, que Piaget designa por «condutas de assimilação», que exigem novas normas de adaptação, concepções «em circuito aberto». Não basta cingirmo-nos às exigências do meio. Há que transformá-lo. Quando a evolução se traduz apenas numa permanência estática, impõem-se revoluções que assegurem os necessários reajustamentos.
Deste modo, surgem na história pressões ligadas a novas condições de vida, a momentos revolucionários que, graças a estruturas novas como os lar de idosos, substituem o regime anterior, ameaçado de miséria e de declínio.
Vivemos actualmente um desses momentos, que atinge as três idades: a idade madura, dado o desenvolvimento da técnica; a juventude, com a sua inquietação característica e compreensível turbulência; a velhice, que nem sempre constitui a coroação feliz de uma vida de trabalho. Se os adultos dispõem de meios legais para fazerem valer os seus direitos e se os jovens, não obstante a energia e contradições do seu temperamento, utilizam a violência como forma de contestação, a verdade é que os idosos têm tendência a resignar-se e a calar-se, dado que se sentem improdutivos.
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